terça-feira, 6 de outubro de 2009

Rio 2016: Boas e más Notícias.

Autor: Luís Cardiga (06/10/09)






Sem perder tempo com detalhismos sobre a escolha de São Sebastião do Rio de Janeiro como a sede dos próximos jogos olímpicos, vamos direto ao ponto: O que isto significa do ponto de vista da ciclicalidade no valor dos ativos no mundo?


Em nossos posts de Setembro 2009 (ver) e de Abril 2009 (ver) já comentamos que a definição do Brasil como sede das olimpíadas em 2016 ou 2020 faria toda a diferença do ponto de vista da extensão e intensidade do próximo boom de commodities.


Historicamente, os ciclos de alta das commodities ( leia-se moeda de troca que o Brasil tem a oferecer para o mundo) duram entre 14-24 anos com uma ou duas fortes correções nos preços ao longo do ciclo. Este último ciclo iniciou em 1998 quando a relação entre o Ouro e o Petróleo abandonou patamares ao redor de 20 para cerca de 12 entre 1998 e 2008.


Como já foi visto também, a ocorrência de eventos/construções únicas para uma determinada região do globo, está diretamente relacionada com a prosperidade local, independentemente da prosperidade advinda do evento em si. Desta forma, do ponto de vista probabilístico, não há outra saída além de uma verdadeira "explosão" na relação do preço das commodities em relação à outros ítens comercializáveis. Esta condição condiz e re-confirma exatamente o nosso já postulado "lado B" da depressão (ver post de Nov. 2008) . Uma Copa no Brasil já seria suficiente para dar respaldo histórico aos gráficos, o que dizer de um evento único na história do país? Estamos falando de uma probabilidade muito, muito pequena de que isto não ocorra (alta das commodities ao longo deste período). Sob todos os aspéctos, a próxima pernada do boom (após a mega correção eminente) vai ter como característica básica a sua alta intensidade (leia-se valorização dos preços) em função da concentração dos dois eventos em curto espaço de tempo. O movimento do CRB deverá atender estes preceitos.


Por outro lado, a escolha dos jogos em 2016 joga toda a intensidade da alta de preços para uma rápida finalização hiperbólica, possivelmente ainda em 2016. Alternativamente, a escolha de 2016 invalida a escolha em 2020 que era uma possibilidade até então. Se as olimpíadas fossem em 2020 no Rio, teríamos um ciclo longo de commodities, de cerca de 22 anos e com duas correções: uma agora ainda em 2010 e outra possivelmente em 2014/2015. No entanto, e conforme já comentamos, a escolha do Brasil para 2016 determina um ciclo mais curto e intenso de cerca de 18 anos terminando em 2016 e com apenas uma forte correção.


Agora, 2016 como ápice da segunda pernada das commodities implica também (de traz para frente) em outra perspectiva temporal: o início da valorização das commodities após a forte correção que se aproxima.


Adotando o modelo da depressão de 30, temos por exemplo um avanço médio de cerca de 400% no valor de diversas commodities agrícolas (relativo à valorização em 75% do ouro em relação ao USD na época) entre meados de 1932 (pico de baixa) até o pico máximo em Março de 1937. Com o mesmo enquadramento temporal e igualando 2016 a 1937, teríamos o início da reação dos preços das commodities somente em 2011, plenamente dentro de nossa janela de oportunidade já descrita em Fevereiro de 2009 (ver). No entanto, isto significa também que o período mais agudo da crise vai perdurar ao longo de todo 2010 pelo menos. Sob o ponto de vista do processo da continuidade da contração da Velocidade do Dinheiro, evento(s) mundiais que elevem/mantenham o stress psicológico e evoquem a economia e não o gasto dos indivíduos deverão ocorrer ainda em Abril/Março de 2010, sequencialmente após a terceira onda do H1N1 no hemisfério norte.


Portanto, a definição das Olimpíadas no Rio em 2016 agrega ainda mais informação ao mapa cartográfico dos investimentos ao longo dos próximos anos, e mais do que tudo, indica o princípio e o fim.



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