terça-feira, 29 de setembro de 2009

Aceleradinho como Sempre.

Autor: Luís Cardiga (29/09/09)


Existe uma categoria de medidas econômicas e sociais que são importantes para a correta previsão dos movimentos dos mercados por estarem sempre "adiantados" em relação ao restante dos outros índices. O Baltic Dry Index, ou índice para os preços dos fretes marítimos internacionais para cargas em "bulk", enquadra-se nesta categoria, estando em média 3 meses adiante dos movimentos dos mercados em geral (ver gráfico auto explicativo).

Em última análise, os preços dos fretes marítimos refletem o ponto de equilíbrio entre a oferta de capacida instalada (sim, navios fazem parte da capacidade produtiva instalada global) e a demanda global por produtos. Assim sendo, ao analisarmos o setor de transportes marítimo internacional, estamos analisando também o restante da cadeia global de suprimentos bem como a demanda que se contrapõem à esta.

A demanda com base na expansão de crédito global dos últimos anos foi mais do que suficiente para atrair investimentos em novas fábricas mundo afora. Como não poderia deixar de ser, existe um "lead-time" entre a demanda propriamente dita e o momento em que a nova oferta produtiva chega ao mercado. São os ciclos das infra-estruturas/capacidades produtivas em ação. Após o pico de cada ciclo, iniciam-se os movimentos de consolidação (leia-se quebradeiras, fusões, aquisições sucessivas das mesmas capacidades). Aos poucos, a carga de dívida pendente no sistema vai diminuindo através deste mecanismo. É sempre assim até que o novo ponto de equilíbrio ocorra via obsolecência tecnológica e ajuste à nova demanda.

Mas na "esteira" deste descompasso gritante entre oferta e demanda por capacidade, temos ainda o elemento social chamado desemprego em massa, marca registrada dos ciclos históricos de contração de crédito e deflação.

O elemento desemprego em massa em formação é o que mais nos fascina do ponto de vista de nossas análises futuras, já que nos instiga a incorporar novos modelos com base na sociologia e psicologia dos movimentos sociais. Movimentos de massa ao redor do mundo serão uma constante ao longo dos próximos anos, trazendo consigo a renovação política e social necessária para um novo ciclo de crescimento pós depressão.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Viagem ao Centro da Terra.

Autor: Luís Cardiga (25/09/09)


Não se engane, ontem (Quinta-feira 24 de Setembro 2009) iniciou a segunda e mais aguda fase da contração de crédito global generalizada. Serão meses e mais meses de quedas intermitentes até nosso target inicial para o início da estabilização do preço dos ativos (ver) e que não indica necessariamente o final do processo. Suportes anteriores serão rompidos, um-a-um, até um patamar inimaginável para os dias de hoje.


As sociedades como um todo entrarão numa espiral de frustração desconhecida pelas gerações atuais. Embora demore um pouco para ocorrer, o fanatismo encontrará solo (mentes) férteis neste momento. A visão de mundo e realidade torna-se obtusa.


Conforme o comentado em nosso post anterior, o futuro continua a voltar ao seu devido lugar. Diversas rupturas com o presente devem ocorrer para que o processo como um todo se concretize. Ao longo de nossos próximos posts, estaremos elaborando sobre estas rupturas sociais e políticas principalmente.


Abaixo nossa sugestão preferida para a alocação de recursos preciosos em tempos de ruptura.





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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Megafones e Mega-ilusões.

Autor: Luís Cardiga (16/09/09)



Bernanke, Buffet e Obama dizem que esta tudo bem, que o pior já passou. A mídia de massa de "A a Z" também confirma o que os "peixes grandes" tem a dizer. Os índices dos mercados bursáteis ao redor do mundo literalmente "compram a mesma opinião". Secretamente, pensam que você é louco, um lunático, por manter opinião contrária diante de todas as (pseudo) evidências de que o pior já passou.

Enfim, manter-se fiel à um posicionamento (sem alavancagem é óbvio) as vezes pode ser desgastante. No entanto, ao observarmos o gráfico do SPX (proxy para o SP500 dos EUA), nada fica mais claro do que um imenso Megafone em formação. Formações deste tipo são a marca registrada da volatilidade crescente sendo armazenada.

A realidade nua e crua sobre o imenso "buraco negro" gerado pela destruição de crédito no sistema financeiro global está acumulando debaixo do tapete. Toda uma demanda futura que deveria ocorrer ao longo de décadas foi efetivada no presente via mecanismos de crédito. A atividade econômica e os preços gerais dos ativos refletem esta demanda futura condensada no presente. E como já diziam os Ingleses no século XIX, crédito é "money of the mind". Seu vigor e expansão depende de algo muito humano que é a credibilidade e cooperação entre as partes.

O elo de cooperação entre as nações no estilo "Ricardiano" gera prosperidade por solidificar exatamente este elo importante, o da credibilidade. É um processo de longa formação que incorpora mais de uma geração. No entanto, tudo na vida tem um limite, inclusive a própria vida! A natureza repetitiva dos ciclos não deixa outras opções em aberto.

Protecionismos e guerras comerciais entre outros confrontos nem tão comerciais assim fazem parte do determinismo dos ciclos. São o sintoma de que a maré começa a vazar na direção contrária à expansão da credibilidade.

Neste contexto, é bastante lógico acreditarmos que em algum momento o futuro volta ao seu devido lugar. O ajuste temporal da demanda vai ocorrer.

Que a insanidade nos proteja!

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ouro, Petróleo e o Brasil II.

Autor: Luís Cardiga (02/09/09)


A contração de crédito generalizada segue o seu curso no mundo. A primeira onda conduziu a relação Ouro/Petróleo até 22 barris por onça troy, a próxima onda já toma forma e deve ganhar velocidade ao longo das próximas semanas. A fim de que uma discrepância histórica não ocorra, eventos marcantes, únicos regionalmente como a Copa do Mundo na África do Sul em 2010, deverão coincidir com extrema pujança local. Se não me falha a memória, a África do Sul é um grande produtor de Ouro e importador de energia/commodities. A diferença relativa favorece os negócios locais, a balança comercial e possivelmente valoriza o Rand em relação a outras moedas, mas não necessariamente em relação ao USD.

Lembrem-se desta correlação histórica ao longo de 2010, quando as commodities estiverem em baixa e o Brasil sofrendo percalços econômicos/sociais/políticos. 2014 não estará longe. Conforme já mencionado anteriormente, Outubro próximo oferece ainda a possibilidade de um novo boom de commodities turbinado até 2016, para coincidir com a possibilidade única das Olimpíadas em solo brasileiro. Quem não acredita em tudo isso, não perde por esperar.