sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Lucros durante a Depressão.

Autor: Luis Cardiga (30/01/08)


Segue abaixo dados sobre o “Gráfico Misterioso”.

Dica: estamos falando do preço das ações em bolsa de uma empresa famosa no passado.

Observem principalmente o que aconteceu com o preço das ações durante o processo de contração econômica aguda entre novembro de 1929 e junho de 1932, bem como durante o subseqüente período. Só pra relembrar, entre novembro de 1929 e junho de 1932 os principais mercados acionários no mundo perderam mais de 90% do seu valor.

Nos próximos blogs abordaremos este assunto em maiores detalhes.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Agricultura no Brasil: Lucros durante a Depressão.

Autor: Luis Cardiga (23/01/09)


O atual período em que vivemos será visto em retrospecto como o início da Grande Depressão do século XXI. Os dados econômicos atuais, no Brasil ou no exterior, deixam poucas dúvidas sobre o que esta por vir durante 2009 e 2010.

O estudo dos períodos durante as grandes contrações de crédito no passado (1825, 1873, 1930), nos leva a concluir que pouquíssimos setores econômicos conseguem manter ou elevar suas margens operacionais durante estes longos períodos de depressão econômica. Como já mencionado em outras ocasiões, o setor de mineração de ouro é o setor que obviamente está sendo muito beneficiado pelo rápido processo de contração econômica mundial. No entanto, outro setor que começa a chamar nossa atenção e que pode surpreender com uma expansão das margens operacionais é o setor agrícola, em especial o setor agrícola no Brasil. Nosso principal argumento para a expansão das margens operacionais nas fazendas brasileiras em plena depressão econômica tem como base a nova relação de preços entre o petróleo e o agregado das commodities agrícolas (exceto carnes). No gráfico abaixo retratamos o “Agro/Oil Ratio” que não deixa dúvidas sobre a nova realidade de margens que se materializa no campo:

Como pode ser visto, temos uma formação triangular clássica em formação desde 1999 e que foi recentemente rompida em favor dos grãos o que pode ser interpretado como uma nova tendência em formação.


Resumidamente, temos uma situação em que os custos dos insumos (fertilizantes, defensivos, combustíveis, etc.) representados aqui pelos preços do petróleo, diminuem numa proporção maior que a diminuição dos preços de venda das commodities agrícolas produzidas. Corroborando com esta situação, temos também a perspectiva de “transferência de margens” do segmento logístico (fretes internos + fretes internacionais) para dentro da porteira da fazenda uma vez que a proporção do frete no total CFR diminui, adicionando valor aos totais FAS na porteira da fazenda. Se não bastasse, a esperada desvalorização do Real (que também resulta da relativa baixa dos valores das commodities e conseqüente desequilíbrio na balança comercial) vai ajudar e muito na diminuição dos custos reais de mão-de-obra e depreciações em geral. Notem também que um processo de desvalorização rápida e aguda do Real diante do USD também gera um efeito positivo (ainda que momentâneo) nos fluxos de caixa dos fazendeiros uma vez que os insumos são adquiridos com uma moeda relativamente forte no início do processo enquanto que o produto final é faturado ao final do processo ( +/- 6 meses depois) com uma moeda relativamente depreciada.


Dentro deste contexto, o valor das terras agrícolas no Brasil deve manter-se relativamente firme ao longo dos próximos 2 anos. Regiões produtoras mais distantes dos portos e culturas com maior grau de utilização de insumos como o Milho também serão relativamente beneficiadas.
Aos que desejam tirar “uma lasca” desta possível nova tendência (e tiverem acesso), short oil e long agro é a indicação mais óbvia. Empresas agrícolas como a SLC (código SLCE3 Bovespa) também podem ser um bom veículo para a alocação de recursos. No entanto, as carteiras de hedge e endividamento deste tipo de empresa devem ser muito bem analisadas. O conveniente é que exista um travamento dos preços futuros dos grãos, mas não o travamento da moeda. Outro ponto muito importante é a conjuntura atual dos mercados como um todo. Embora empresas como a Cresud (Argentina - código CRESY Nasdaq, warrants 2015 código CRESW) e SLC estejam recomprando suas ações, este iniciativa nos parece ainda um pouco precipitada. É muito provável que o próximo crash ainda em 2009 atinja também estas empresas independentemente da expansão de margens/recompra de ações. A discrepância de Yields entre dívida e equities está enorme no mercado como um todo, o que sugere ainda uma drástica correção nos mercados acionários globais. Timing, paciência e uma posição neutra de espera em ouro ou USD podem turbinar a tomada de posição no setor agrícola.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma Previsão para o Preço do Petróleo.

Autor: Luis Cardiga (16/01/09)

Com alguma freqüência recebo indagações sobre os preços futuros do petróleo. Pois bem, ao redor de maio de 2008, enquanto o ouro negro subia “enlouquecidamente” em direção aos USD 150, respondia a e-mails dizendo que do ponto de vista de uma posição “contrária” ao da maioria, este movimento altista reverteria em breve. Corroborando com esta idéia, a curvatura dos preços em USD do petróleo em NY e das ações da Petrobrás estava adquirindo um formato “hiperbólico”, típico do ápice de movimentos altistas.

Logo após o início do movimento de queda, alguns indicadores de preço futuro como os “put options” sendo emitidos pelo Goldman Sachs / JPMorgan com “strike” em USD 70 e depois USD 50 (vencimento até meados de 2009) indicavam que uma sustentação manipulativa acima destes níveis era esperada pelo menos até o vencimento dos contratos. Tal conjuntura de mercado considerava uma economia em recessão, mas ainda sobre o controle do FED e Cia., mas não precificava uma depressão global descontrolada no padrão de 1930 ou pior.

Diante de um cenário depressivo global, o qual fica claro a cada dia que passa, devemos abordar a previsão do preço futuro do petróleo sobre outro aspecto. Através de relatos históricos da década de 30, constatamos que muitos investidores ditos inteligentes perderam fortunas tentando encontrar o ponto de inflexão de baixa ao longo de 1930, 1931 ou mesmo em 1932. A lição é clara, parâmetros tradicionais de valoração e de expectativa de recuperação econômica não se aplicam enquanto existir contração de crédito e resultante deflação no sistema.
Tentando ilustrar a situação atual, por favor considerem o gráfico do preço do petróleo em USD abaixo:


Observem que a cotação atual se “encaixa” perfeitamente no suporte técnico que tem início em USD 10.73 em Dez. de 1998. Para muitos dos atuais players do mercado, o nível atual em USD está no ponto mínimo que ainda confirma o atual ciclo de alta das commodities que iniciou em 1999. No entanto este suporte pode ser uma falácia conforme o gráfico abaixo atesta:Conforme pode ser visualizado, quando medido em Euros, por exemplo, o suporte tradicional com semelhantes pontos médios demonstra uma situação bastante diferente e bastante pessimista quanto a expectativa dos preços futuros do petróleo.

Na nossa opinião, portanto, a sustentação dos preços atuais do petróleo ao redor de USD 35 é apenas uma ilusão. No curto prazo, digamos até abril de 2009 é possível que os preços em USD subam até um nível ao redor de USD 50. Este movimento de curto prazo seria em função do forte suporte existente em USD, das expectativas positivas do novo governo nos EUA e do agravamento dos conflitos no Oriente Médio (justificativa pós-fato). No entanto, acreditamos que a “lua-de-mel” deve acabar antes de junho de 2009 quando a nova onda de pânico e contração começar. Acreditamos que o pico de baixa em USD para o petróleo ocorrerá na segunda metade de 2009 ou em 2010. O nível mínimo absoluto seria USD 10, no entanto acreditamos que uma cotação mais provável estaria entre USD 17 e USD 25 mantendo assim o suporte que iniciou em 1973 quando o barril de petróleo era cotado a USD 3.55. No presente momento, o mercado futuro em contango e a disponibilidade de espaço para armazenamento (diminuindo) ainda sustentam a já rarefeita demanda atual. A partir de meados de 2009, esta situação deve mudar uma vez que não vai haver mais espaço para armazenagem barata.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Futuro no Brasil.

Autor: Luis Cardiga

O comportamento de massa determina o ambiente econômico.
O estudo dos mercados e da economia compreende também o estudo dos movimentos sociais que em última análise formam a base dos próprios mercados e economias no mundo. Dentro da área dos movimentos sociais, a análise do comportamento das massas tem grande pertinência para a correta leitura dos ambientes econômicos atuais e futuros. Por sua vez, a precisa leitura do ambiente econômico futuro, em outras palavras “Precision Forecasting”, permite decisões acertadas hoje.

Decisões corretas dependem da correta leitura do futuro.
Existe, no entanto, um limite ao grau de acerto das decisões baseadas na leitura do ambiente econômico futuro. Dentro deste contexto, a famosa diluição dos riscos nada mais é que a aceitação da incapacidade da correta leitura dos acontecimentos que ocorrerão no futuro. Infelizmente, uma estratégia de “diluição de riscos” traz consigo também a “diluição dos retornos”. Este fato tem chamado minha atenção há algum tempo, e portanto, tenho estudado em disciplinas não relacionadas formas e mecanismos que permitam uma maior concentração em poucas decisões alegadamente corretas. Prever o futuro se faz necessário.

Pelas leis da Física, passado, presente e futuro não tem distinção.
O estudo da Física de Albert Einstein permite uma viagem ao futuro sem que percebamos. Por quê? Como? Os próprios físicos explicam. Nas palavras do próprio Albert Einstein: “As pessoas como nós (os físicos), que acreditam nas leis da física, sabem que a distinção entre o passado, o presente e o futuro é somente uma persistente e enraizada ilusão”. Com base nesta premissa, a de que o passado, o presente e o futuro são a mesma coisa, centenas de pesquisas e experimentos têm sido realizados desde a década de 30. Analisando alguns destes trabalhos, para o nosso espanto, descobrimos que sob a ótica da física, a intuição humana nada mais seria que um pré-registro (a nível subconsciente humano) da energia emanada pelos fatos que irão ocorrer no futuro. Em outras palavras, o fluxo de informação/energia corre no sentido inverso ao fato, sendo captada pelo inconsciente das pessoas no passado. Esta observação permite através de ferramentas como o “Google Trends” interpretar e especular sobre o futuro econômico no Brasil tendo como base de dados o inconsciente coletivo dos internautas que acessam o Google. Fatos que geram grande impacto, em outras palavras, grande carga emocional negativa, podem ser identificados com maior antecedência a sua própria ocorrência.
Abaixo, alguns indicadores econômicos, bem como a interpretação gráfica que mostra a formação e reversão de tendências nos respectivos inconscientes coletivos:

INCOSCIENTE COLETIVO: CARRO NOVO


Carro Novo tem carga emocional positiva. Portanto, o gráfico indica muito mais uma alteração da demanda em tempo real do que uma previsão do que vai ocorrer no futuro. Aos que procuram um “teto de baixa” para os volumes de automóveis novos a serem vendidos nos próximos 2 anos, os anos de 2005 e 2006 servem como parâmetro pois houve uma formação “hiperbólica” a partir do segundo semestre de 2006.

INCONSCIENTE COLETIVO: FALÊNCIA



Neste caso temos uma carga emocional negativa forte que gera elevado grau de antecedência no imaginário coletivo. O fluxo reverso da energia negativa já pode ser identificado, descontada a sazonalidade, a partir de meados de 2007. Notem que último boom econômico no Brasil não havia chegado ainda ao seu ápice. O gráfico é auto-explicativo. Após o início da grande onda de falências no país, poderemos também medir o quanto tempo esta vai durar. Isto, aliada a outras técnicas, permite a correta decisão sobre o melhor “Entry Point” para o capital de risco e aquisições.

INCONSCIENTE COLETIVO: DESEMPREGO



Desemprego é uma imagem negativa forte, emocionante sobre qualquer aspecto. Pode ser identificada com um bom grau de antecedência através do inconsciente coletivo. Que tal a proposição da reversão no quadro de empregos no Brasil ainda nos primeiros meses de 2008? Alguém se lembra das notícias no período? Falta de mão de obra, baixíssimo desemprego, etc.

INCONSCIENTE COLETIVO: COMPRAS



Que tal a montanha russa das compras regada a muito crédito, emprego farto e euforia? Inflexão positiva da curva no início de 2007, inflexão negativa da curva em Setembro de 2008. A divergência entre o total investido em marketing nesta última estação de compras e a quebra na tendência de demanda é no mínimo um alerta aos dirigentes de marketing sobre a correta administração do caixa nas empresas. Esta é uma medição em tempo real.

INCONSCIENTE COLETIVO: VENDO



Inflexão já no primeiro semestre de 2007, com boa antecedência antes do fato. Nova tendência em formação. Gera pressão deflacionária. Vamos acompanhar, mas esse inconsciente coletivo ainda tem o potencial para gerar “Samba Enredo” em 2010.

INCONSCIENTE COLETIVO: CASA NOVA



Talvez um pouco cedo para uma definição categórica quanto ao futuro do setor da construção civil no Brasil. No entanto, a formação gráfica indica uma clara reversão de tendência. Decisões quanto a novos empreendimentos foram tomadas ao longo dos últimos 24 meses. Ao que tudo indica, haverá um “desencontro” na curva de demanda desde já. A análise sazonal de Janeiro será importante definidora da magnitude da nova tendência. Relativo a outros setores da economia, o impacto negativo pode não ser tão grande.



INCONSCIENTE COLETIVO: CRÉDITO



Um clássico! Notem correlação positiva com compras, carro novo e casa nova a partir do final de 2006. Este é um indicador do grau de alavancagem na economia, da apropriação presente dos fluxos de capital futuro. Notem a quebra na tendência neste final de ano.



INCONSCIENTE COLETIVO: DIFÍCIL



Um dos nossos preferidos! Reversão na tendência desde o início de 2007, em plena fase da expansão econômica acelerada. Será que alguém notou? Alta carga emocional negativa, boa capacidade antecipatória.

INCONSCIENTE COLETIVO: MEDO


Outro de nossos preferidos! Inflexão do inconsciente coletivo ainda em início de 2008. Indicará com antecedência também, o final da fase aguda do ciclo negativo.

INCONSCIENTE COLETIVO: PERIGO


Tendência em formacão desde início de 2007.