O comportamento de massa determina o ambiente econômico.
O estudo dos mercados e da economia compreende também o estudo dos movimentos sociais que em última análise formam a base dos próprios mercados e economias no mundo. Dentro da área dos movimentos sociais, a análise do comportamento das massas tem grande pertinência para a correta leitura dos ambientes econômicos atuais e futuros. Por sua vez, a precisa leitura do ambiente econômico futuro, em outras palavras “Precision Forecasting”, permite decisões acertadas hoje.
Decisões corretas dependem da correta leitura do futuro.
Existe, no entanto, um limite ao grau de acerto das decisões baseadas na leitura do ambiente econômico futuro. Dentro deste contexto, a famosa diluição dos riscos nada mais é que a aceitação da incapacidade da correta leitura dos acontecimentos que ocorrerão no futuro. Infelizmente, uma estratégia de “diluição de riscos” traz consigo também a “diluição dos retornos”. Este fato tem chamado minha atenção há algum tempo, e portanto, tenho estudado em disciplinas não relacionadas formas e mecanismos que permitam uma maior concentração em poucas decisões alegadamente corretas. Prever o futuro se faz necessário.
Pelas leis da Física, passado, presente e futuro não tem distinção.
O estudo da Física de Albert Einstein permite uma viagem ao futuro sem que percebamos. Por quê? Como? Os próprios físicos explicam. Nas palavras do próprio Albert Einstein: “As pessoas como nós (os físicos), que acreditam nas leis da física, sabem que a distinção entre o passado, o presente e o futuro é somente uma persistente e enraizada ilusão”. Com base nesta premissa, a de que o passado, o presente e o futuro são a mesma coisa, centenas de pesquisas e experimentos têm sido realizados desde a década de 30. Analisando alguns destes trabalhos, para o nosso espanto, descobrimos que sob a ótica da física, a intuição humana nada mais seria que um pré-registro (a nível subconsciente humano) da energia emanada pelos fatos que irão ocorrer no futuro. Em outras palavras, o fluxo de informação/energia corre no sentido inverso ao fato, sendo captada pelo inconsciente das pessoas no passado. Esta observação permite através de ferramentas como o “Google Trends” interpretar e especular sobre o futuro econômico no Brasil tendo como base de dados o inconsciente coletivo dos internautas que acessam o Google. Fatos que geram grande impacto, em outras palavras, grande carga emocional negativa, podem ser identificados com maior antecedência a sua própria ocorrência.
Abaixo, alguns indicadores econômicos, bem como a interpretação gráfica que mostra a formação e reversão de tendências nos respectivos inconscientes coletivos:
INCOSCIENTE COLETIVO: CARRO NOVO
Carro Novo tem carga emocional positiva. Portanto, o gráfico indica muito mais uma alteração da demanda em tempo real do que uma previsão do que vai ocorrer no futuro. Aos que procuram um “teto de baixa” para os volumes de automóveis novos a serem vendidos nos próximos 2 anos, os anos de 2005 e 2006 servem como parâmetro pois houve uma formação “hiperbólica” a partir do segundo semestre de 2006.
INCONSCIENTE COLETIVO: FALÊNCIA
Neste caso temos uma carga emocional negativa forte que gera elevado grau de antecedência no imaginário coletivo. O fluxo reverso da energia negativa já pode ser identificado, descontada a sazonalidade, a partir de meados de 2007. Notem que último boom econômico no Brasil não havia chegado ainda ao seu ápice. O gráfico é auto-explicativo. Após o início da grande onda de falências no país, poderemos também medir o quanto tempo esta vai durar. Isto, aliada a outras técnicas, permite a correta decisão sobre o melhor “Entry Point” para o capital de risco e aquisições.
INCONSCIENTE COLETIVO: DESEMPREGO
Desemprego é uma imagem negativa forte, emocionante sobre qualquer aspecto. Pode ser identificada com um bom grau de antecedência através do inconsciente coletivo. Que tal a proposição da reversão no quadro de empregos no Brasil ainda nos primeiros meses de 2008? Alguém se lembra das notícias no período? Falta de mão de obra, baixíssimo desemprego, etc.
INCONSCIENTE COLETIVO: COMPRAS
Que tal a montanha russa das compras regada a muito crédito, emprego farto e euforia? Inflexão positiva da curva no início de 2007, inflexão negativa da curva em Setembro de 2008. A divergência entre o total investido em marketing nesta última estação de compras e a quebra na tendência de demanda é no mínimo um alerta aos dirigentes de marketing sobre a correta administração do caixa nas empresas. Esta é uma medição em tempo real.
INCONSCIENTE COLETIVO: VENDO
Inflexão já no primeiro semestre de 2007, com boa antecedência antes do fato. Nova tendência em formação. Gera pressão deflacionária. Vamos acompanhar, mas esse inconsciente coletivo ainda tem o potencial para gerar “Samba Enredo” em 2010.
INCONSCIENTE COLETIVO: CASA NOVA
Talvez um pouco cedo para uma definição categórica quanto ao futuro do setor da construção civil no Brasil. No entanto, a formação gráfica indica uma clara reversão de tendência. Decisões quanto a novos empreendimentos foram tomadas ao longo dos últimos 24 meses. Ao que tudo indica, haverá um “desencontro” na curva de demanda desde já. A análise sazonal de Janeiro será importante definidora da magnitude da nova tendência. Relativo a outros setores da economia, o impacto negativo pode não ser tão grande.
INCONSCIENTE COLETIVO: CRÉDITO
Um clássico! Notem correlação positiva com compras, carro novo e casa nova a partir do final de 2006. Este é um indicador do grau de alavancagem na economia, da apropriação presente dos fluxos de capital futuro. Notem a quebra na tendência neste final de ano.
INCONSCIENTE COLETIVO: DIFÍCIL
Um dos nossos preferidos! Reversão na tendência desde o início de 2007, em plena fase da expansão econômica acelerada. Será que alguém notou? Alta carga emocional negativa, boa capacidade antecipatória.
Outro de nossos preferidos! Inflexão do inconsciente coletivo ainda em início de 2008. Indicará com antecedência também, o final da fase aguda do ciclo negativo.
INCONSCIENTE COLETIVO: PERIGO
Tendência em formacão desde início de 2007.
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