sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A Importância do Ouro como Investimento.



Autor: Luis Cardiga (31/10/08)

O ouro como moeda de troca e reserva de valor faz parte das finanças humanas desde a época dos faraós. Ao contrario das moedas da atualidade, o ouro caracteriza-se por não ser replicável ao infinito e por não depender de qualquer governo para a sua emissão. De fato, ao longo dos últimos 300 anos a quantidade total anual de ouro produzida no mundo não ultrapassou 2% do total já existente o que garante a alta estabilidade do ponto de vista quantitativo em relação a outras moedas e ativos globais (valor intrínseco estável).

O ouro na diversificação de ativos e diluição do risco cambial da moeda nacional.
Tipicamente um investidor brasileiro tem os seus ativos alocados nos seguintes grupos de ativos: renda fixa em moeda nacional (poupança, CDBs, recebíveis, etc.), ações/participações em empresas nacionais e bens imóveis (casa própria, terrenos, terras, etc.). Muitas vezes o investidor que tem seu patrimônio pulverizado nestes três grandes grupos de ativos acredita estar bastante diversificado em seus investimentos. Embora exista uma correlação negativa entre o rendimento da renda fixa e a apreciação das ações e/ou bens imóveis a equação da diversificação não esta completa uma vez que todos estes ativos tem um risco comum pois, seus rendimentos têm como base a mesma moeda, o Real. Por esta razão, as variações cambiais da moeda Real afetam em toda a sua plenitude o poder de compra (leia-se poder de investimento) do investidor que acredita estar diversificado, mas não está.

O risco da correlação positiva do Real com o preço das commodities.
Moedas como o Real, o Dólar Canadense, o Rublo Russo e o Dólar Australiano são moedas que tem de forma geral uma correlação positiva com os preços das commodities internacionais como o petróleo, grãos, metais básicos, etc. Conforme o comentado em outra oportunidade, estamos possivelmente no início de um período de correção no preço das commodities internacionais em função da contração de crédito global. Este tipo de conjuntura é amplamente propício a desvalorização das moedas dos países exportadores de commodities. Sob este aspecto, o ouro funcionaria como um “estabilizador” do valor total patrimonial uma vez que sofre os efeitos da baixa das commodities em uma proporção muito menor. A saber, durante os grandes processos de contração de crédito na história do capitalismo moderno, o ouro (leia-se liquidez por excelência) sempre valorizou se em média por 2-3 anos após o estouro inicial da bolha especulativa. É importante lembrar que esta valorização sempre foi uma valorização relativa a outros ativos como, por exemplo, em relação às commodities, ações ou bens imóveis. Ao final do ciclo de contração, os estoques de ouro mantiveram o seu poder de compra, permitindo aos seus investidores uma nova aquisição de ativos em volume maior do que ao anterior

Diminuição dos riscos para quem tem rendimentos em Reais.
Este é um conceito difícil de ser aceito pela maioria das pessoas, mas que parece ter respaldo do ponto de vista lógico na diluição do risco total agregado dos rendimentos do indivíduo/empresa e seu patrimônio. A essência deste conceito é a de que tanto o salário quanto o patrimônio do indivíduo (seja em renda fixa, ações, casas, etc.) estão denominados em Reais, estando também sujeitos ao mesmo risco de uma variação cambial desfavorável do Real. Em outras palavras, se não bastasse a exposição do patrimônio às nuances da paridade cambial, também ficam expostos os ganhos do indivíduo que perderiam poder de compra diante de uma desvalorização do Real. Reservas em ouro ou outro ativo que não estejam correlacionados à moeda em que esta denominada a renda do indivíduo/empresa ajudariam na estabilidade do poder de compra do agregado salário/renda + patrimônio.

Histórico da apreciação do ouro em Reais desde 1999.
O período compreendido entre 1999 até o presente momento em 2008 é muito interessante para a nossa análise, pois compreende exatamente o intervalo de anos em que o petróleo (utilizamos o petróleo como proxy para as commodities como um todo) valorizou-se nada menos que 860% em USD conduzindo consigo o “boom” das commodities. Tal apreciação do petróleo trouxe também grande bonança econômica e apreciação das moedas nacionais em diversos países exportadores de commodities, entre eles o Brasil. Pois bem, este foi também um período em que os rendimentos de ativos denominados em Reais foram praticamente imbatíveis quando comparados a outros investimentos mundo a fora. Não distante de toda esta bonança, e mesmo enfrentando um cenário adverso para a valorização em moeda nacional, o ouro valorizou-se em média 15% ao ano em Reais durante estes nove anos (total aproximado de 400% no período) sendo este um bom parâmetro para aqueles que acreditam que a bonança das commodities vai arrefecer ainda mais durante os próximos 12-24 meses.

Um lembrete aos marinheiros incautos!
O mercado de ouro é diminuto quando comparado ao mar dos outros ativos no mundo. Por esta razão, suas cotações são bastante voláteis quando observadas durante um curto espaço de tempo. Aos que planejam alocar parte de seu portfólio em ouro, a recomendação é a de que mantenham um horizonte de pelo menos 24 meses antes de uma avaliação sólida dos retornos. Conforme o comentado anteriormente, o ouro deve ser encarado primordialmente como uma proteção do poder de compra futuro.

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