Dólar vs. Real
Autor: Luis Cardiga (13/10/08)
Dizem no Brasil que de economia e futebol todo mundo entende um pouco. Portanto, gostaria de contribuir com a minha opinião sobre a atual paridade do Real diante do Dólar Americano. Acredito que o Real acaba de embarcar numa sólida tendência de baixa (desvalorização diante do USD) e que deverá perdurar por um bom tempo. Creio que três fatores são fundamentais para a manutenção desta tendência.
Ciclo de contração de crédito mundial e seu efeito sobre o Real.
A primeira interpretação é a de que estamos na primeira fase de um processo de contração de crédito mundial. No passado, contrações semelhantes levaram a uma valorização acentuada das moedas de reserva da época. Esta apreciação durou cerca de 2-3 anos. Exemplos de contrações semelhantes seriam 1825, 1873 e 1930. Tecnicamente falando, a “destruição” de crédito diminui o bolo financeiro (crédito + dinheiro) que “irriga” a totalidade dos ativos disponíveis no mundo. Desta forma, temos uma mesma quantidade de ativos (ações em bolsa, títulos de dívida publica ou corporativa, commodities, moedas estrangeiras, etc.) que, a partir da contração, devem corresponder a um bolo financeiro total menor que o anterior. Sobre este aspecto, temos o USD valorizando-se diante de tudo e todos. Em minha opinião este efeito (demanda de USD para quitação de débitos), isoladamente, seria responsável por cerca de 2/5 da atual desvalorização do Real diante do Dólar Americano. Enquanto perdurar o processo de liquidação “aguda” dos créditos, teremos presente este fator na formação da paridade USD vs. Real.
Ciclo das commodities e seu efeito sobre o Real diante do Dólar.
A interpretação é a de que estamos em meio a um período de correção aguda dos preços das commodities, parte de um ciclo positivo para os preços dos produtos básicos que historicamente dura entre 14 a 24 anos. Esta correção nos preços das commodities já vem ocorrendo desde meados de 2007 e muito provavelmente continuará por mais um ou 2 anos. Generalizando-se, commodities em alta significam superávit comercial para o Brasil. Por sua vez, a geração de superávits aumenta a demanda por moeda nacional, o Real. Tal demanda ocorre não só pelo canal comercial, mas também pelo canal financeiro uma vez que a percepção de risco país diminui com os saldos positivos e atrai capital externo de longo e curto prazo (maior demanda por moeda nacional). O inverso também é verdadeiro e é o que até certo ponto estamos vivendo neste momento. É importante lembrar também que as “percepções” do que pode acontecer valem tanto quanto a realidade para os agentes envolvidos pois estes se antecipam ao movimento futuro. O valor em USD de itens importantes para o superávit comercial como o minério de ferro ainda não foram atingidos, mas certamente o serão em menor ou maior grau seja pela alta do USD em função da contração de crédito ou pela menor demanda mundial por commodities fruto da menor atividade econômica nos mercados destino. Penso que a influência atual e futura da baixa das commodities será expressiva (2/5) para a manutenção da tendência de desvalorização do Real vs. USD.
Ações do Banco Central e outros sobre o valor do Real diante do Dólar.
A natureza intervencionista do BC brasileiro ratifica a tendência já existente. Parece tolo, mas as operações do nosso Banco Central visando conter a desvalorização do Real diante do USD funcionam como uma chancela para os investidores internacionais se posicionarem do lado correto da gangorra, ou seja, comprados em USD e vendidos em Reais. Assim sendo, as ações atuais do Banco Central “atraem” e confirmam a desvalorização do Real diante do Dólar Americano no futuro próximo.
Autor: Luis Cardiga (13/10/08)
Dizem no Brasil que de economia e futebol todo mundo entende um pouco. Portanto, gostaria de contribuir com a minha opinião sobre a atual paridade do Real diante do Dólar Americano. Acredito que o Real acaba de embarcar numa sólida tendência de baixa (desvalorização diante do USD) e que deverá perdurar por um bom tempo. Creio que três fatores são fundamentais para a manutenção desta tendência.
Ciclo de contração de crédito mundial e seu efeito sobre o Real.
A primeira interpretação é a de que estamos na primeira fase de um processo de contração de crédito mundial. No passado, contrações semelhantes levaram a uma valorização acentuada das moedas de reserva da época. Esta apreciação durou cerca de 2-3 anos. Exemplos de contrações semelhantes seriam 1825, 1873 e 1930. Tecnicamente falando, a “destruição” de crédito diminui o bolo financeiro (crédito + dinheiro) que “irriga” a totalidade dos ativos disponíveis no mundo. Desta forma, temos uma mesma quantidade de ativos (ações em bolsa, títulos de dívida publica ou corporativa, commodities, moedas estrangeiras, etc.) que, a partir da contração, devem corresponder a um bolo financeiro total menor que o anterior. Sobre este aspecto, temos o USD valorizando-se diante de tudo e todos. Em minha opinião este efeito (demanda de USD para quitação de débitos), isoladamente, seria responsável por cerca de 2/5 da atual desvalorização do Real diante do Dólar Americano. Enquanto perdurar o processo de liquidação “aguda” dos créditos, teremos presente este fator na formação da paridade USD vs. Real.
Ciclo das commodities e seu efeito sobre o Real diante do Dólar.
A interpretação é a de que estamos em meio a um período de correção aguda dos preços das commodities, parte de um ciclo positivo para os preços dos produtos básicos que historicamente dura entre 14 a 24 anos. Esta correção nos preços das commodities já vem ocorrendo desde meados de 2007 e muito provavelmente continuará por mais um ou 2 anos. Generalizando-se, commodities em alta significam superávit comercial para o Brasil. Por sua vez, a geração de superávits aumenta a demanda por moeda nacional, o Real. Tal demanda ocorre não só pelo canal comercial, mas também pelo canal financeiro uma vez que a percepção de risco país diminui com os saldos positivos e atrai capital externo de longo e curto prazo (maior demanda por moeda nacional). O inverso também é verdadeiro e é o que até certo ponto estamos vivendo neste momento. É importante lembrar também que as “percepções” do que pode acontecer valem tanto quanto a realidade para os agentes envolvidos pois estes se antecipam ao movimento futuro. O valor em USD de itens importantes para o superávit comercial como o minério de ferro ainda não foram atingidos, mas certamente o serão em menor ou maior grau seja pela alta do USD em função da contração de crédito ou pela menor demanda mundial por commodities fruto da menor atividade econômica nos mercados destino. Penso que a influência atual e futura da baixa das commodities será expressiva (2/5) para a manutenção da tendência de desvalorização do Real vs. USD.
Ações do Banco Central e outros sobre o valor do Real diante do Dólar.
A natureza intervencionista do BC brasileiro ratifica a tendência já existente. Parece tolo, mas as operações do nosso Banco Central visando conter a desvalorização do Real diante do USD funcionam como uma chancela para os investidores internacionais se posicionarem do lado correto da gangorra, ou seja, comprados em USD e vendidos em Reais. Assim sendo, as ações atuais do Banco Central “atraem” e confirmam a desvalorização do Real diante do Dólar Americano no futuro próximo.
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