
Parece ficar bem claro que as últimas cartadas de nosso querido governo contribuem para o agravamento da atual crise econômica no Brasil. No entanto, não estamos sós, pois tais medidas governamentais são recorrentes em diversos países durante crises econômicas ao longo da história. Governos e políticos em diversos momentos históricos se esforçam para dar o tiro no pé.
O fato que mais chama nossa atenção não é a nova onda protecionista mundial que ainda vai se intensificar e exacerbar o já combalido fluxo comercial global, mas sim o último aumento real do salário mínimo em terras tupiniquins que funcionaria como um potente catalisador de desemprego no contexto de um PIB com crescimento negativo (contração), como já ocorre, mas não é divulgado no Brasil.
O mais impressionante ainda é a contextualização do evento como benéfico e anticíclico conforme o divulgado pela grande mídia (leia-se Folha de S.Paulo, 16/02 e sucessivas edições) sob o argumento de que o aumento do salário mínimo “injetaria R$21 bi e reduziria a crise”. Governo e coadjuvantes são exímios “marqueteiros”, não tenhamos dúvidas.
Ora bolas, seria interessante perguntar a 100 dirigentes de empresas em setores afetados (quase todos na atualidade) se o aumento do valor na folha de pagamento é um incentivo para mais demissões diante de um faturamento em franco declínio. A resposta parece ser bastante óbvia.
Em outras palavras, se já não bastasse o “engessamento” e arcaísmo das leis trabalhistas no Brasil, que em tempos normais funciona como “um freio de mão” puxado para o desenvolvimento econômico no país, temos ainda a “mão boba” governamental que, em momento perfeito, empurra o cidadão assalariado precipício abaixo, incorporando-o as estatísticas de desemprego e direto para o auxilio governamental (maquiavélico não?).
A atual conjuntura econômica exigiria exatamente o contrário, a flexibilização e redução real dos salários médios pagos aos trabalhadores. Parece que a grande maioria não entende (ou não quer entender) que invariavelmente deve ocorrer uma retração da massa salarial global para um novo ponto de equilíbrio condizente com uma demanda menor por bens e serviços bem como em equilíbrio com os valores reais dos outros fatores e custos de produção que já se encontram em processo de deflação. Ocorre que o decréscimo da massa salarial total só pode ocorrer com muitos desempregos caso os salários reais individuais não possam ser rebaixados. No momento em que novos aumentos do salário mínimo são impostos, estamos basicamente alavancando o numero total de desempregos que deve ocorrer para atender ao novo equilíbrio da massa salarial no sistema. Em resumo, estamos falando de matemática e equilíbrio.
Assim sendo, temos uma situação onde o intervencionismo governamental por meio do aumento do salário mínimo “joga gasolina no fogo”. O resultado líquido final é um numero total maior de desempregados do que outrora deveria ser.
O efeito alavancagem da intervenção do governo contribui ainda para aumentar o stress psicológico na população (e conseqüente contração econômica), uma vez que o rompimento do contrato de trabalho direta ou indiretamente incentiva o conservadorismo, menores investimentos, maior poupança e conseqüente diminuição da velocidade do dinheiro no sistema (ver “Depois que o Mundo Parou”, 17/02/09). Conforme já relatado, mesmo que o aumento do salário mínimo de fato “injete” valores expressivos no sistema, tal injeção de liquidez vai ficar ali mesmo, na mão de quem recebeu o aumento, pois a maior propensão à poupança (diminuição da velocidade do dinheiro) esta correlacionada ao stress psicológico global gerado pelo agravamento da crise.
Em suma, a intervenção governamental sempre exacerba os movimentos econômicos, tanto para cima como para baixo. Investidores experientes têm muito claro este conceito e posicionam-se de acordo.
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