Autor: Luis Cardiga (04/12/08)
Primeiramente, gostaria de mencionar que as idéias propostas neste texto refletem minha conclusão pessoal sobre investimentos, finanças e estratégia, e, portanto, devem ser criteriosamente avaliadas antes de qualquer tomada de decisão que envolva a alocação de capital de terceiros.
Poder de compra é o que interessa.
Investir pode significar muitas coisas diferentes para muitas pessoas. No entanto, para simplificar o entendimento do leitor, gostaria de resumir o que investir significa no contexto da nossa análise: “Investir significa alocar capital tendo como objetivo final o aumento do poder de compra deste capital ao final de um determinado período”.
Assim sendo, analisaremos algumas opções de investimento populares para o investidor brasileiro sobre a ótica do aumento do poder de compra ao final do período.
OURO (Perspectiva Positiva ao longo de 2009)
Aos que acompanharam minhas missivas anteriores (e outros e-mails por vários meses), já deve estar claro que estou positivo quanto ao desempenho do Ouro para os próximos 24 meses. O ouro é uma moeda como qualquer outra do ponto de vista de sua função como meio de troca e reserva de valor. Mas não é só isso, ao longo dos principais processos de contração de crédito da história (1825, 1873, 1930), o ouro constituiu-se sempre em liquidez absoluta e proteção inabalável de patrimônio enquanto que a quase totalidade de ativos existentes perde valor quando re-convertidos em ouro ao final do período de contração aguda. Ao longo de mais de 300 anos de história de distintas contrações de crédito, o poder de compra do ouro sempre aumentou por pelo menos 2-3 anos após o início da contração. Aos que tiverem acesso (e sangue frio), o setor de mineração de ouro apresenta ainda uma interessante alavancagem sobre o preço base do metal uma vez que os custos de produção são deflacionados ao longo do processo de desalavancagem do sistema.
DÓLAR (Perspectiva Positiva ao longo de 2009, mas com algum risco)
Tanto o USD quanto o Iene Japonês constituem-se nas moedas bases do famoso “carry trade”. Em outras palavras, a pilha de dívidas e conseqüente alavancagem de ativos globais foi construída com base na venda destas moedas em troca da especulação do momento, seja ela petróleo, imóveis em Xangai ou São Paulo. Nada mais natural do que o reverso gerar uma “corrida” ao Dólar e Iene que agora são procurados incessantemente para quitar as dívidas que perderam lastro em função da perda do valor dos ativos dados como garantia. O processo de valorização do USD e do Iene pode ser classificado portanto como técnico, pois é independente dos fundamentos das economias dos EUA e Japão (balanças comercias, fluxos, etc.). Por esta mesma razão, e por serem moedas sob o total controle de Banco Centrais, tanto o USD quanto o Iene padecem do mesmo risco: podem sofrer uma desvalorização súbita, fruto da ação intervencionista dos devidos BCs que visam “aliviar” o peso das dívidas presentes no sistema. Ao final dos próximos 3 anos (2011), acredito que a desvalorização do USD seja 100% provável. No entanto, ao longo dos próximos 12 meses, creio que a probabilidade de uma desvalorização esteja ainda ao redor de 20%. Assim sendo, devemos esperar um rendimento do USD de no mínimo 10% superior ao Ouro para justificar a posição em USD. Mantemos nossas metas para o USD versus o Real de no mínimo 3,00 até o final de 2009 (ou muito antes!).
RENDA FIXA EM REAIS (Perspectiva levemente negativa para 2009)
Sustentar uma argumentação negativa a respeito da alocação de capital em renda fixa durante um período turbulento como este pode não ser muito popular. No entanto, do ponto de vista da manutenção e aumento do poder de compra, os resultados ao final de 2009 podem não ser muito animadores para os investidores em renda fixa em reais. O ponto em questão é que durante um processo de fuga de capitais ao qual o Brasil vai passar mais violentamente durante 2009, a remuneração via juro sobre capital não deve acompanhar a taxa de desvalorização do Real diante de outros ativos como o ouro e o USD. Eventualmente, a estrutura de juros em Reais “alcança” em parte o percentual da defasagem cambial, mas quando isso ocorrer significa muito mais uma estabilização do processo de fuga de capital e possível reversão do cenário. Assim sendo, se a opção for por alocação em renda fixa que seja esta na modalidade pós-fixada onde a defasagem deve ser menor ao longo dos 12 meses de 2009.
IMÓVEIS (Perspectiva negativa para 2009)
Comprar um imóvel hoje para realizar algum ganho de capital ao longo de 2009 pode não ser um bom investimento. Nossa valoração deste setor leva em consideração principalmente a rentabilidade da locação do imóvel em relação ao valor investido. Historicamente, este rendimento tem sido ao redor de 12% ao ano nas grandes cidades brasileiras. No entanto, ao longo dos últimos 12 meses este rendimento tem estado ao redor de 8% o que sugere duas hipóteses: ou os imóveis estão supervalorizados em cerca de 30%; ou os aluguéis estão subavaliados em cerca de 50%. Em nossa opinião, a primeira hipótese é a mais provável, principalmente em função da expansão de crédito que vinha ocorrendo no setor (aumento da demanda por casa própria). Da mesma forma, a massa salarial que em parte sustenta a demanda por aluguéis deverá sofrer um forte revés desde já. Corroborando com o problema, um rápido passeio pelos balanços das diversas construtoras listadas na Bovespa indica um eminente problema que pode deprimir ainda mais os preços dos imóveis novos no curto prazo: aperto de caixa. Em miúdos, muitas construtoras terão que “desovar” seus estoques de imóveis novos para conseguir terminar as obras em andamento e para não correrem o risco de quebrar no curto prazo. Enfim, nossa opinião para o setor (inclusive o comercial) é de baixa ao longo de 2009.
BOVESPA (Perspectiva muito negativa para 2009)
Processos de contração de crédito mundial são eventos épicos do ponto de vista econômico (1720, 1825, 1873, 1929), verdadeiros divisores de água que mudam a forma com a qual os homens se relacionam entre seus pares e seus governos. Mercados acionários por sua vez, além de serem considerados “máquinas do futuro” ao descontarem antecipadamente condições econômicas que ainda não são realidade, também funcionam como um “barômetro” das emoções e expectativas humanas (mais sobre isso nos próximos artigos). Em condições extremas e tão singulares como a atual, conceitos clássicos de valoração de ativos como o desconto de fluxo de caixa futuro, P/L, valor patrimonial, NPV, etc. perdem a relevância uma vez que a situação de venda forçada se instala permanentemente e independentemente dos fundamentos da companhia. Como exemplo, em junho de 1932, no ponto mínimo da última crise de contração de crédito, cerca de 40% de todas as companhias listadas na bolsa de Nova Iorque estava sendo ofertada abaixo do seu valor de capital de giro líquido. Em outras palavras, podiam ser adquiridas por uma fração do seu valor em caixa. Assim sendo, mantemos nossas metas de Bovespa a 21mil pontos até o final de 2009.
Primeiramente, gostaria de mencionar que as idéias propostas neste texto refletem minha conclusão pessoal sobre investimentos, finanças e estratégia, e, portanto, devem ser criteriosamente avaliadas antes de qualquer tomada de decisão que envolva a alocação de capital de terceiros.
Poder de compra é o que interessa.
Investir pode significar muitas coisas diferentes para muitas pessoas. No entanto, para simplificar o entendimento do leitor, gostaria de resumir o que investir significa no contexto da nossa análise: “Investir significa alocar capital tendo como objetivo final o aumento do poder de compra deste capital ao final de um determinado período”.
Assim sendo, analisaremos algumas opções de investimento populares para o investidor brasileiro sobre a ótica do aumento do poder de compra ao final do período.
OURO (Perspectiva Positiva ao longo de 2009)
Aos que acompanharam minhas missivas anteriores (e outros e-mails por vários meses), já deve estar claro que estou positivo quanto ao desempenho do Ouro para os próximos 24 meses. O ouro é uma moeda como qualquer outra do ponto de vista de sua função como meio de troca e reserva de valor. Mas não é só isso, ao longo dos principais processos de contração de crédito da história (1825, 1873, 1930), o ouro constituiu-se sempre em liquidez absoluta e proteção inabalável de patrimônio enquanto que a quase totalidade de ativos existentes perde valor quando re-convertidos em ouro ao final do período de contração aguda. Ao longo de mais de 300 anos de história de distintas contrações de crédito, o poder de compra do ouro sempre aumentou por pelo menos 2-3 anos após o início da contração. Aos que tiverem acesso (e sangue frio), o setor de mineração de ouro apresenta ainda uma interessante alavancagem sobre o preço base do metal uma vez que os custos de produção são deflacionados ao longo do processo de desalavancagem do sistema.
DÓLAR (Perspectiva Positiva ao longo de 2009, mas com algum risco)
Tanto o USD quanto o Iene Japonês constituem-se nas moedas bases do famoso “carry trade”. Em outras palavras, a pilha de dívidas e conseqüente alavancagem de ativos globais foi construída com base na venda destas moedas em troca da especulação do momento, seja ela petróleo, imóveis em Xangai ou São Paulo. Nada mais natural do que o reverso gerar uma “corrida” ao Dólar e Iene que agora são procurados incessantemente para quitar as dívidas que perderam lastro em função da perda do valor dos ativos dados como garantia. O processo de valorização do USD e do Iene pode ser classificado portanto como técnico, pois é independente dos fundamentos das economias dos EUA e Japão (balanças comercias, fluxos, etc.). Por esta mesma razão, e por serem moedas sob o total controle de Banco Centrais, tanto o USD quanto o Iene padecem do mesmo risco: podem sofrer uma desvalorização súbita, fruto da ação intervencionista dos devidos BCs que visam “aliviar” o peso das dívidas presentes no sistema. Ao final dos próximos 3 anos (2011), acredito que a desvalorização do USD seja 100% provável. No entanto, ao longo dos próximos 12 meses, creio que a probabilidade de uma desvalorização esteja ainda ao redor de 20%. Assim sendo, devemos esperar um rendimento do USD de no mínimo 10% superior ao Ouro para justificar a posição em USD. Mantemos nossas metas para o USD versus o Real de no mínimo 3,00 até o final de 2009 (ou muito antes!).
RENDA FIXA EM REAIS (Perspectiva levemente negativa para 2009)
Sustentar uma argumentação negativa a respeito da alocação de capital em renda fixa durante um período turbulento como este pode não ser muito popular. No entanto, do ponto de vista da manutenção e aumento do poder de compra, os resultados ao final de 2009 podem não ser muito animadores para os investidores em renda fixa em reais. O ponto em questão é que durante um processo de fuga de capitais ao qual o Brasil vai passar mais violentamente durante 2009, a remuneração via juro sobre capital não deve acompanhar a taxa de desvalorização do Real diante de outros ativos como o ouro e o USD. Eventualmente, a estrutura de juros em Reais “alcança” em parte o percentual da defasagem cambial, mas quando isso ocorrer significa muito mais uma estabilização do processo de fuga de capital e possível reversão do cenário. Assim sendo, se a opção for por alocação em renda fixa que seja esta na modalidade pós-fixada onde a defasagem deve ser menor ao longo dos 12 meses de 2009.
IMÓVEIS (Perspectiva negativa para 2009)
Comprar um imóvel hoje para realizar algum ganho de capital ao longo de 2009 pode não ser um bom investimento. Nossa valoração deste setor leva em consideração principalmente a rentabilidade da locação do imóvel em relação ao valor investido. Historicamente, este rendimento tem sido ao redor de 12% ao ano nas grandes cidades brasileiras. No entanto, ao longo dos últimos 12 meses este rendimento tem estado ao redor de 8% o que sugere duas hipóteses: ou os imóveis estão supervalorizados em cerca de 30%; ou os aluguéis estão subavaliados em cerca de 50%. Em nossa opinião, a primeira hipótese é a mais provável, principalmente em função da expansão de crédito que vinha ocorrendo no setor (aumento da demanda por casa própria). Da mesma forma, a massa salarial que em parte sustenta a demanda por aluguéis deverá sofrer um forte revés desde já. Corroborando com o problema, um rápido passeio pelos balanços das diversas construtoras listadas na Bovespa indica um eminente problema que pode deprimir ainda mais os preços dos imóveis novos no curto prazo: aperto de caixa. Em miúdos, muitas construtoras terão que “desovar” seus estoques de imóveis novos para conseguir terminar as obras em andamento e para não correrem o risco de quebrar no curto prazo. Enfim, nossa opinião para o setor (inclusive o comercial) é de baixa ao longo de 2009.
BOVESPA (Perspectiva muito negativa para 2009)
Processos de contração de crédito mundial são eventos épicos do ponto de vista econômico (1720, 1825, 1873, 1929), verdadeiros divisores de água que mudam a forma com a qual os homens se relacionam entre seus pares e seus governos. Mercados acionários por sua vez, além de serem considerados “máquinas do futuro” ao descontarem antecipadamente condições econômicas que ainda não são realidade, também funcionam como um “barômetro” das emoções e expectativas humanas (mais sobre isso nos próximos artigos). Em condições extremas e tão singulares como a atual, conceitos clássicos de valoração de ativos como o desconto de fluxo de caixa futuro, P/L, valor patrimonial, NPV, etc. perdem a relevância uma vez que a situação de venda forçada se instala permanentemente e independentemente dos fundamentos da companhia. Como exemplo, em junho de 1932, no ponto mínimo da última crise de contração de crédito, cerca de 40% de todas as companhias listadas na bolsa de Nova Iorque estava sendo ofertada abaixo do seu valor de capital de giro líquido. Em outras palavras, podiam ser adquiridas por uma fração do seu valor em caixa. Assim sendo, mantemos nossas metas de Bovespa a 21mil pontos até o final de 2009.
Um comentário:
Bom dia,
Visualizei no blog que não possuí vínculo com corretora, terias interesse em uma parceria em cursos e captação de clientes?
Tens msn para contato?
Tenha uma excelente semana.
Abraços
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