domingo, 6 de junho de 2010

Euro Trip

Autor: Luís Cardiga (05.06.10)

Em posts anteriores já mencionamos a importância do monitoramento da Velocidade do Dinheiro na moeda senior (USD) para a correta leitura dos cenários econômicos de médio prazo (1-5 anos) e correto re-posicionamento de recursos ao longo do próximo "bottoming" intermediário no ciclo de alta das commodities que iniciou em 2001. Enquanto a velocidade estiver contraindo, estamos basicamente avalizando alocações que tenham o elemento "cash" (e/ou produtores dos mesmos) como "imã" na atração da riqueza global. Este movimento de contração alia duas características da percepção dos gestores diante de períodos semelhantes ao longo da história: o medo e a percepção de abundância das coisas em geral (tudo que seja passível de uma imobilização de recursos).

No entanto, em algum momento futuro não muito distante, as taxas de desemprego na economia senior (EUA) devem se estabilizar e tal percepção sobre o atual estado das coisas deve alterar-se para uma conjuntura que mantém o medo (típico de todas as longas contrações de crédito) mas aliada agora a uma percepção de escassez das coisas básicas (commodities). O relevante não é identificar o que é causa ou consequência como no paradoxo da reflexividade de Soros, mas sim sobreviver e prosperar ao longo deste processo cíclico.

Neste caso, prosperar implica na correta leitura, ou melhor dizendo, na correta mensuração da baixa momentânea das commodities em geral buscando o timing ideal para o reposicionamento dos ativos rumo a 2015/2016 (pico provável para commodities e boom na economia brasileira). A leitura de preços com base no USD é falha e distorcida em função da própria flexibilidade do USD diante de tudo e todos.

Neste sentido a mensuração do petróleo através do Euro agrega precisão a nossa análise que leva em consideração também a contração da velocidade do dinheiro em USD e as taxas de aceleração do desemprego nos EUA.


Abaixo vemos dois gráficos retratando o preço do petróleo em Euros.

O primeiro gráfico com as devidas retas de resistência que marcaram o período de retração "REAL" das commodities desconsiderando os movimentos do USD isoladamente em 2000 e 2008. Fica claro neste gráfico a característica fractal de ambos os movimentos onde tanto a dimensão tempo quanto a dimensão preço se ampliam em semelhante proporção. O rompimento da reta de resistência com início em Julho de 2008 marcará o final deste período de retração real das commodities dentro do macro ciclo de alta.

O segundo gráfico parece marcar o momento exato em que houve a reversão da tendência altista iniciada em março de 2009 até agora. O Rompimento da reta suporte em cerca de 55 Euros por Barril parece avalizar nossa opinião.


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